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Nova presidente do Coren-ES avalia primeiras semanas de gestão e fala da expectativa de avanços


23.01.2019

“Acredito no poder da nossa profissão. Temos um papel humano, político e social de extrema importância e merecemos sair da invisibilidade.” Essa convicção motivou a enfermeira Andressa Barcellos a disputar as eleições do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), junto com pessoas que compartilham do ideal de uma enfermagem valorizada e reconhecida. E o Conselho tem uma função relevante nesse sentido.

Depois de superar vários obstáculos para participar do processo eleitoral de 2018, a chapa 2 – Renovar Coren foi vitoriosa e assumiu em 1º de janeiro. Apesar do pouco tempo de gestão, a enfermagem capixaba quer saber como está o Conselho e quais as perspectivas do novo plenário. Antes, porém, segue uma breve apresentação da nova presidente.

Experiência e atuação

Andressa Barcellos é formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Concluiu o curso em 2001, época em que os formandos saíam da faculdade com emprego certo. Hoje, infelizmente, não é mais assim.

O setor de nefrologia do Hospital das Clinicas foi sua primeira experiência profissional como enfermeira. Na assistência também atuou na UTI da Santa Casa de Vitória, nas prefeituras de Cariacica e da Capital. Andressa também voltou à sala de aula, mas como professora. Primeiro no Profae, o Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem, criado pelo Ministério da Saúde. Depois deu aulas em duas faculdades, em Vila Velha e Guarapari. Nessa última também coordenou o curso de Enfermagem. Em outra experiência, prestou consultoria a uma empresa de sistema de gestão hospitalar na Grande Vitória. Em 2003, foi aprovada em concurso da Prefeitura da Serra, onde mantém vínculo até hoje. Andressa também foi presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo e renunciou ao cargo na entidade para assumir o Coren-ES.

A atual gestão assumiu há menos de um mês. Já é possível fazer uma avaliação do Coren-ES e identificar as medidas que terão prioridade?

Antes de qualquer coisa, quero agradecer cada voto de esperança que nos foi dado. Minha gratidão é imensa. Eu já havia feito esse agradecimento nas minhas redes sociais e agora agradeço oficialmente, na condição de conselheira presidente, os votos que nos foram confiados.

Respondendo à pergunta, encontramos um Coren que é classificado pelo Conselho Federal (Cofen) como de médio porte, com quase 40 mil profissionais inscritos, mas que ainda funciona como uma entidade de pequeno porte. Ou seja, o nosso Conselho não acompanhou o crescimento da enfermagem e, também por isso, não tem conseguido dar as respostas que a nossa profissão e a sociedade exigem. Da mesma forma que acontece na maioria das instituições de saúde, onde faltam profissionais e condições dignas de trabalho, a realidade interna do Coren-ES também é de sobrecarga, adoecimento, falta de treinamento etc. E ainda tem o espaço físico, que não favorece em nada. É um monte de salinhas, em andares diferentes, que confundem qualquer pessoa. A Fiscalização, que é nossa atividade fim, precisa ser reestruturada com urgência.  Os fiscais são enfermeiros e enfrentam condições parecidas com as que temos em instituições de saúde. Verificamos na fiscalização uma rotina de improvisos que não pode continuar.

Então, identificamos os principais desafios e já estamos atuando para resolvê-los. Um desses desafios é justamente reestruturar o Conselho internamente para que os serviços sejam prestados com eficiência e resolutividade, possibilitando também que a nova gestão consiga promover ações que transformem a realidade da enfermagem.

Outra prioridade é estabelecer um canal de comunicação forte com os profissionais de enfermagem e a sociedade. É inaceitável, por exemplo, que um auxiliar, técnico ou enfermeiro procure o Conselho para se informar sobre questões relativas ao exercício profissional e tenha que esperar semanas por uma resposta. Isso sem falar que muitas vezes não consegue nenhum tipo de resposta.  A enfermagem trabalha 24 horas e precisa de retorno rápido para suas demandas. Essa deficiência de comunicação também está sendo corrigida. Queremos os profissionais próximos do Conselho, e que tenham acesso efetivo. Ao mesmo tempo vamos investir em mecanismos que ampliem o conhecimento e levem ao empoderamento da enfermagem.

Novo plenário do Coren-ES

No dia 7 de janeiro foi realizada a primeira reunião plenária da nova gestão. Você pode destacar alguns assuntos discutidos e aprovados?

Nossa reunião foi marcada por forte emoção. Estávamos realmente sensibilizados e agradecidos pela oportunidade de assumirmos a gestão do Conselho para promover os avanços que a enfermagem precisa e deseja.

Sempre defendemos a união das entidades representativas da enfermagem como forma de fortalecer as nossas lutas. Uma atuação coletiva, com respeito ao papel de cada um, trará importantes avanços para a enfermagem. Com esse objetivo decidimos propor uma reunião com representantes de entidades de enfermagem para discutirmos a criação de um fórum estadual que reúna, por exemplo, o Coren-ES, a ABEn, os sindicatos e as associações. A data sugerida para a reunião foi 6 de fevereiro.

Outra decisão foi solicitar autorização ao Cofen para anistiarmos os profissionais da multa prevista para quem não votou nas eleições do Coren-ES, em 5 de dezembro passado. Apontamos diversos problemas que dificultaram o comparecimento de profissionais ao local de votação. Em razão desses argumentos, aguardamos retorno positivo do Cofen para que não haja cobrança de multa e nem a necessidade de justificar ausência.

Também aprovamos solicitar ao Cofen uma capacitação para os fiscais e os novos conselheiros, conforme Resolução 374/2011, que normatiza o funcionamento do Sistema de Fiscalização do Exercício Profissional de Enfermagem. Nosso objetivo é começar um trabalho de forma qualificada e responsável.

O mandato dessa gestão será de dois anos, relativamente curto.  Isso será um problema? Qual sua expectativa?

No Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, o mandato das gestões eleitas é de três anos. Essa é a regra. Infelizmente, fomos prejudicados pelo cancelamento das eleições em 2017 e, em consequência, o Cofen indicou um plenário com mandato de um ano (2018).  Como as novas eleições só ocorreram no final de 2018, o nosso mandato será de apenas dois anos. Penso que ficamos no prejuízo com essa situação, que é de exceção. Por outro lado, estamos motivados e felizes com a oportunidade que a enfermagem nos concedeu. Vamos fazer como Juscelino Kubitschek (presidente 1956-1961). Pretendemos realizar uma década em dois anos. Estamos cientes do trabalho que temos pela frente. Mas acredito, sim, que dois anos é o tempo necessário para as mudanças que precisamos realizar na infraestrutura do Conselho, no funcionamento dos setores, nos fluxos e processos. A arrumação interna vai repercutir externamente. E esse é o nosso objetivo, porque a enfermagem está gritando por socorro.

Os profissionais de enfermagem, e os trabalhadores em geral, enfrentam uma realidade difícil e com ameaça de agravamento em razão da política do novo governo federal. Como você avalia esse momento atual?

Tem circulado nas redes sociais o mote de que ninguém solta a mão de ninguém. A mensagem fala aos brasileiros sobre a necessidade de união, de seguir na direção daquilo que acreditamos. Penso que isso também se aplica a nós, profissionais de enfermagem. Temos que dar as mãos. A enfermagem precisa se fortalecer e só conseguiremos nos tornar fortes com uma base sólida, com coesão e com persistência.

Nesse sentido, enquanto classe, devemos repensar as atitudes individuais, porque elas repercutem coletivamente. A nossa profissão tem sido marcada pela desunião dos próprios profissionais e com suas entidades.

Antes achávamos que desvalorização, problemas de infraestrutura em processos de trabalho existiam somente na base, onde prestamos serviço. Mas ao assumirmos o Conselho nos deparamos com essa mesma situação. E é muita coisa para vencermos sozinhos. Precisamos de união. Afinal, não existimos e nem fomos criados para agir individualmente. Acredito que a concepção humana seja a valorização da coletividade.

Qual a mensagem que você deixa para a enfermagem capixaba?

A nossa profissão é essencial para a sociedade e para a manutenção da vida em todas as dimensões. Sinto gratidão por poder fazer parte da construção de uma enfermagem digna. Mas quero dizer aos auxiliares, técnicos e enfermeiros que a saída para o fortalecimento da enfermagem é nos empoderarmos da Lei 7.498/86, do Exercício Profissional, do Decreto 94.406/87 e do nosso Código de Ética. Ao mesmo tempo em que esses instrumentos nos impõem deveres, eles também nos asseguram direitos e proteção, e por isso, podem nos ajudar a nos impor enquanto profissão. A nos levantar diante do trabalho desumano, da desvalorização profissional que passa pelos salários, mas também pela jornada excessiva e por outras situações, como relações de trabalho desrespeitosas e aviltantes.

Enxergo que a saída para romper com essa exploração é usarmos a nossa própria legislação que, como mencionei, impõe deveres diante da sociedade, mas nos garante o direito de exercer uma enfermagem de forma responsável, humana e ética. Nos dois anos de gestão que se inicia, vamos trabalhar em prol da autonomia e da autoestima da nossa profissão. Acredito que assim a enfermagem deixará de ser refém de si mesma e da exploração que vem se perpetuando em nossa realidade profissional. Eu realmente acredito no poder da nossa profissão. Temos um papel humano, político e social de extrema importância e merecemos sair da invisibilidade.

Enfermagem unida e empoderada  = enfermagem forte e valorizada! 

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